Antes da razão, sentimos


Há quem passe a vida tentando controlar o que sente, como se algumas emoções fossem inadequadas e precisassem desaparecer. Mas as emoções não surgem apenas para causar desconforto. Elas também oferecem informações sobre a maneira como percebemos e vivenciamos determinada situação.
Toda emoção tem uma função, ainda que seu sentido nem sempre seja imediatamente compreendido.
A ansiedade pode revelar uma percepção de ameaça. A tristeza pode indicar que algo importante foi perdido. A raiva pode sinalizar que um limite foi ultrapassado. Até a alegria, muitas vezes vivida sem a atenção que merece, pode revelar aquilo que desejamos preservar.
O sofrimento pode se intensificar quando, em vez de compreender o que sentimos, passamos a julgar a própria emoção. Chamamos a tristeza de fraqueza, o medo de incapacidade e a ansiedade de exagero. Aos poucos, deixamos de dialogar com nossa experiência e passamos apenas a tentar silenciá-la.
As emoções podem mudar de intensidade ao longo do tempo. O sofrimento, porém, pode se prolongar conforme interpretamos o que sentimos, reagimos à emoção ou permanecemos expostos à situação que a desencadeou.
Conhecer as próprias emoções não significa viver sob o domínio delas. Significa reconhecer que elas oferecem informações sobre a maneira como estamos percebendo o mundo, as pessoas e a nós mesmos.
Talvez o verdadeiro equilíbrio emocional não esteja em sentir menos, mas em compreender melhor. Por Tatiana Dórea.




Comentários